Um desgraçado, por um motivo desconhecido de todos, deixou que o filho morresse dentro de um carro. Há gente com vontade de o cruxificar. Ninguém quer conhecer os problemas daquele homem e se tem problemas que os resolva. Por enquanto, enche as páginas dos jornais, enche de dinheiro os donos dos jornais e aumenta as audiências televisivas. Será que já alguém se perguntou sobre as condições de trabalho daquele infeliz. Quantas horas trabalha por semana? Será que tem o emprego garantido até ao fim do mês? E o seu ordenado, dará para pagar as contas mensais?
Exige-se tudo daqule infeliz, os pais da garota que andou à porrada à professora, ninguém exige nada, nem sequer são responsabilizados pelo que a criatura fez.
Quem tem garotos adolescentes a praticar desacatos na rua, não os está a negligenciar? Quem deixa os seus filhos de doze e treze anos, à noite, nas discotecas e bares, não os está a negligenciar?
Como há momentos em que não tenho o que fazer e escrever um diário é perigoso, criei este espaço para largar o que me vai cá dentro e, quem sabe, também cá fora.Assim como um saco da porrada.Consultório de psicanálise.
terça-feira, 17 de março de 2009
domingo, 18 de janeiro de 2009
A Importância da Carreira
Há umas dezenas de anos, era eu ainda uma adolescente sonhadora, dizia-se que, não tardaria, o Homem, com ajuda da tecnologia, teria muito mais tempo livre para se dedicar ao lazer. Já na altura eu achava um disparate. Aumentando o número de máquinas, aumentaria o número de pessoas dispensadas, logo o desemprego cresceria. Mesmo assim, eu era uma garota crédula e pensava que os crescidos é que sabiam e também ainda acreditava que quem escrevia e emitia opiniões fazia-o com responsabilidade, era gente inteligente e não ia dizer um disparate daqueles sem saber o que estava a impingir ao povo. Mas não, nessa altura começou cada um a dizer o que lhe apetecia até que chegámos à actualidade, onde até eu tenho a ousadia de me pôr para aqui a escrever quando não tenho mais que fazer.
Passaram os anos e que vemos nós. As poucas pessoas que conseguem empregos não pensam em outra coisa. Trabalham sem horários, não olham para os lados no que conta a ganhar mais dinheiro, chegam a ter dois empregos . Filhos, família, saúde, o que é verdadeiramente essencial para nos dar felicidade ficam muito atrás da grande prioridade que é manter o emprego e ter uma grande carreira.
Passaram os anos e que vemos nós. As poucas pessoas que conseguem empregos não pensam em outra coisa. Trabalham sem horários, não olham para os lados no que conta a ganhar mais dinheiro, chegam a ter dois empregos . Filhos, família, saúde, o que é verdadeiramente essencial para nos dar felicidade ficam muito atrás da grande prioridade que é manter o emprego e ter uma grande carreira.
Mas para que raio quero eu uma grande carreira se não me é permitido viver?
Se a carreira não me serve eu não quero servir carreira nenhuma.
A carreira enfia cada vez mais o Homem nas grandes cidades. Quanto mais enfiado está na cidade mais sozinho se encontra. Se alguma coisa corre mal ( e há sempre algo que corre mal), come Xanax , Prozac … entre as pizzas do almoço e os hambúrgueres do jantar. Família não sabe onde está, ou então ficou tão lá para trás que nem sabe o que isso foi, só incomodava. Amigos também não, não há tempo para ter amigos e alguns eliminou-os na sua ascendência até ao topo da carreira. Mas não faz mal, ainda tem a sua carreira. É lá que está bem, no emprego, com seus negócios. Quando chega a casa, adormece, aconchegado por mais um comprimido para dormir. E diz que não se droga.
Não sabe fazer nada, não tem mais nada, caso perca a carreira torna-se um sem abrigo.
Se a carreira não me serve eu não quero servir carreira nenhuma.
A carreira enfia cada vez mais o Homem nas grandes cidades. Quanto mais enfiado está na cidade mais sozinho se encontra. Se alguma coisa corre mal ( e há sempre algo que corre mal), come Xanax , Prozac … entre as pizzas do almoço e os hambúrgueres do jantar. Família não sabe onde está, ou então ficou tão lá para trás que nem sabe o que isso foi, só incomodava. Amigos também não, não há tempo para ter amigos e alguns eliminou-os na sua ascendência até ao topo da carreira. Mas não faz mal, ainda tem a sua carreira. É lá que está bem, no emprego, com seus negócios. Quando chega a casa, adormece, aconchegado por mais um comprimido para dormir. E diz que não se droga.
Não sabe fazer nada, não tem mais nada, caso perca a carreira torna-se um sem abrigo.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Estou farta
Estou farta, farta , farta...... dos Cristianos Ronaldos, das Lilis Caneças, das Bárbaras Guimarães, da Amáila e até do Afonso Henriques, mas ao menos este último, que foi o primeiro, arriscou a pele. Os outros limitam-se a fazer aquilo que mais gostam, alguém descarregou talento em cima das suas cabecinha douradas ( qual é o talento da Caneças?E da Cinha Jardim? E do Sócrates?) e nós, os burros, temos de aturar aqueles gajos todas as noites, quando regressamos a casa, depois de vivermos um terço do nossos diazinhos em empregos que às vezes nem gostamos e que não interessam a ninguém. Isto se tivermos emprego!
Ser médico, o que é isso? Quem precisa de médicos ou de enfermeiros? Trolha, quem quer ser trolha, quem precisa de um trolha? Está visto que ninguém. Quem se incomoda com o tipo que plantou as batatas que comemos? Úteis são a Luciana Abreu, o Mourinho, a Cinha Jardim, a Catarina Furtado, aquela dos lábios de silicone que anda com um homem novo cada semana e que eu não me lembro agora do nome. Esses sim, trabalham, são gente digna, de mérito. portugueses que as nossas crianças devem seguir como exemplo.
Ser médico, o que é isso? Quem precisa de médicos ou de enfermeiros? Trolha, quem quer ser trolha, quem precisa de um trolha? Está visto que ninguém. Quem se incomoda com o tipo que plantou as batatas que comemos? Úteis são a Luciana Abreu, o Mourinho, a Cinha Jardim, a Catarina Furtado, aquela dos lábios de silicone que anda com um homem novo cada semana e que eu não me lembro agora do nome. Esses sim, trabalham, são gente digna, de mérito. portugueses que as nossas crianças devem seguir como exemplo.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Bem vindo 2009
Outro ano a descontar no resto que ainda há para eu viver.
E lá ouvi e vi as diversões dos outros na televisão. Lá repetimos aquelas frases feitas de bom ano, sem ter fé nenhuma no que dizemos porque na melhor das hipóteses o ano será igual ao que passou e na pior das hipóteses vai ser pior. Ah! Depois são os rituais patéticos de comer doze passas e de nunca ver os desejos que pedimos, enquanto as comemos, realizados e também temos de vestir roupa de não sei que cor, para dar sorte, apesar da sorte ser sempre pouca. O que nos vale é que somos bons portugueses, podemos ter uma perna partida, mas consolamo-nos porque não partimos as duas, estamos desempregados mas resta-nos a esperança e a saúde, se perdemos a saúde, não faz mal enquanto cá estivermos está-se bem, finalmente quando mortos “_Coitadinho, agora está descansado, pelo menos já não sofre mais.”
Os rituais prolongam-se pelo dia fora. A televisão enche-me a paciência com as reportagens dos outros anos. Bem que podiam dar folga aos funcionários, como fizeram os supermercados e o dono da minha padaria. Ele é o fogo de artifício na Madeira, os hotéis lotados na Serra da Estrela e no Algarve, os banhos de Carcavelos, as festa em lugares recônditos do país, onde ninguém gostaria de viver, os acidentes na estrada e os excessos dos foliões desregrados. O costume. Para alguns, amanhã já acaba tudo, para outros é só na segunda feira. Ainda bem que o país retoma o sossego e a crise o seu lugar de honra.
Mas não posso passar sem dizer como entrei no novo o ano. Nem comi as passas, nem bebi champanhe, nem me empanturrei com comida, mas dancei, dancei e muito. Diverti-me à grande, como é costume quando vou dançar e não preciso de esperar pelo início de cada ano. Sempre que posso, eu faço festa. Habitualmente aguento-a até ao fim, desta vez não consegui. Desta vez prolongou-se pela madrugada. Às 4 horas, os meus pés já não cabiam nos sapatos e hoje só querem chinelos e mal os posso colocar no chão.
Não resisto à vulgaridade: Bom ano para mim!
E lá ouvi e vi as diversões dos outros na televisão. Lá repetimos aquelas frases feitas de bom ano, sem ter fé nenhuma no que dizemos porque na melhor das hipóteses o ano será igual ao que passou e na pior das hipóteses vai ser pior. Ah! Depois são os rituais patéticos de comer doze passas e de nunca ver os desejos que pedimos, enquanto as comemos, realizados e também temos de vestir roupa de não sei que cor, para dar sorte, apesar da sorte ser sempre pouca. O que nos vale é que somos bons portugueses, podemos ter uma perna partida, mas consolamo-nos porque não partimos as duas, estamos desempregados mas resta-nos a esperança e a saúde, se perdemos a saúde, não faz mal enquanto cá estivermos está-se bem, finalmente quando mortos “_Coitadinho, agora está descansado, pelo menos já não sofre mais.”
Os rituais prolongam-se pelo dia fora. A televisão enche-me a paciência com as reportagens dos outros anos. Bem que podiam dar folga aos funcionários, como fizeram os supermercados e o dono da minha padaria. Ele é o fogo de artifício na Madeira, os hotéis lotados na Serra da Estrela e no Algarve, os banhos de Carcavelos, as festa em lugares recônditos do país, onde ninguém gostaria de viver, os acidentes na estrada e os excessos dos foliões desregrados. O costume. Para alguns, amanhã já acaba tudo, para outros é só na segunda feira. Ainda bem que o país retoma o sossego e a crise o seu lugar de honra.
Mas não posso passar sem dizer como entrei no novo o ano. Nem comi as passas, nem bebi champanhe, nem me empanturrei com comida, mas dancei, dancei e muito. Diverti-me à grande, como é costume quando vou dançar e não preciso de esperar pelo início de cada ano. Sempre que posso, eu faço festa. Habitualmente aguento-a até ao fim, desta vez não consegui. Desta vez prolongou-se pela madrugada. Às 4 horas, os meus pés já não cabiam nos sapatos e hoje só querem chinelos e mal os posso colocar no chão.
Não resisto à vulgaridade: Bom ano para mim!
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Não gosto de compras de Natal, não gosto de troca de prendas compradas compulsivamente e em exagero, não gosto de mesas sofisticadas para comemorar o Natal, não gosto da caridadezinha de que são vitimas os pobres e os pobrezinhos do mundo, nesta altura.
Gosto da tranquilidade que esta época traz à minha vida, gosto da árvore e do que ela representa, gosto do riso das crianças, do presépio, da simplicidade e do desprendimento que é para mim esta comemoração. O brilho do Natal emana daquele garoto nascido, numa noite fria, nos arredores de Belém, de forma tão simples e despretensiosa.
Gosto da tranquilidade que esta época traz à minha vida, gosto da árvore e do que ela representa, gosto do riso das crianças, do presépio, da simplicidade e do desprendimento que é para mim esta comemoração. O brilho do Natal emana daquele garoto nascido, numa noite fria, nos arredores de Belém, de forma tão simples e despretensiosa.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Natal sem Natal
Já há uns anos que me afastei desta fúria que ataca os cidadãos pelo Natal.
Natal. O que é isso? A festa das compras, a festa do pai Natal, a festa das crianças, a festa das prendas. Então e o outro, o pequenito que se diz ter nascido há uns anos, por esta altura? Que Natal cristão é este que até os islâmicos ou os judeus podem comemorar?
O pai Natal não passa de uma produção comercial, por acaso um velho pançudo e gordo, certamente cheio de colesterol, vestido com um fato ridículo. O pai Natal deveria ser o santo padroeiro dos comerciantes. As pessoas circulam pelas lojas com vontade de comprar seja o que for. A prenda do tio, do pai, da avó… ainda há tantas para comprar e o tempo escoa. No final da abertura das prendas, há inutilidades espalhadas pela sala misturadas com um monte de papel e caixas, que na manhã de Natal vão entupir os caixotes do lixo.
O Natal acabou com a chegada do pai Natal e com a quantidade das prendas.
Em pequena, esta época tinha um cheiro e um sabor próprio que a minha pouca arte para a escrita não consegue descrever. Havia alegria e tranquilidade. Uns dias antes, a mãe ia às compras, na loja da aldeia. Quando chegava a casa abria a cesta e lá estavam os frutos secos e o bolo-rei, uma caixa de bolinhos Triunfo e uma garrafa de vinho do Porto, que na época não estava interdito aos mais pequenos. Na véspera fritavam-se as rabanadas e os bilharacos , cozinhava-se o bacalhau. Eu não era apreciadora de nenhum destes doces e muito menos do bacalhau com as couves, agradavam-me os bolinhos da Triunfo com as pratas coloridas que eu colocava entre os livro muito espalmadas. Apesar de não gostar da comida, o ambiente bastava-me e enchia-me de ansiedade e expectativa. Nas minhas recordações, a manhã de Natal surgia sempre fria e sem chuva e no sapatinho, que religiosamente colocava na lareira, havia sempre uma prendinha que durante muito tempo eu imaginava a ser posta pelo Menino Jesus, na sua versão já adulta. Sim, adulto. Para mim era inimaginável o Menino Jesus bebé a saltitar pelos telhados. Mas já na altura me questionava por que motivo a minha boneca era sempre de plástico rígido e a de uma das colegas já falava e até andava. Mesmo assim, eu adorava aquele Menino tão desprotegido, que nascera numa terra longínqua de que eu não conhecia nada mas imaginava tudo, naqueles tempos do meu Natal.
Hoje, em minha casa tento recriar o Natal daquele tempo, sem excessos nem prendas por todo o lado, e isso devolveu-me a alegria tranquila do Natal.
Natal. O que é isso? A festa das compras, a festa do pai Natal, a festa das crianças, a festa das prendas. Então e o outro, o pequenito que se diz ter nascido há uns anos, por esta altura? Que Natal cristão é este que até os islâmicos ou os judeus podem comemorar?
O pai Natal não passa de uma produção comercial, por acaso um velho pançudo e gordo, certamente cheio de colesterol, vestido com um fato ridículo. O pai Natal deveria ser o santo padroeiro dos comerciantes. As pessoas circulam pelas lojas com vontade de comprar seja o que for. A prenda do tio, do pai, da avó… ainda há tantas para comprar e o tempo escoa. No final da abertura das prendas, há inutilidades espalhadas pela sala misturadas com um monte de papel e caixas, que na manhã de Natal vão entupir os caixotes do lixo.
O Natal acabou com a chegada do pai Natal e com a quantidade das prendas.
Em pequena, esta época tinha um cheiro e um sabor próprio que a minha pouca arte para a escrita não consegue descrever. Havia alegria e tranquilidade. Uns dias antes, a mãe ia às compras, na loja da aldeia. Quando chegava a casa abria a cesta e lá estavam os frutos secos e o bolo-rei, uma caixa de bolinhos Triunfo e uma garrafa de vinho do Porto, que na época não estava interdito aos mais pequenos. Na véspera fritavam-se as rabanadas e os bilharacos , cozinhava-se o bacalhau. Eu não era apreciadora de nenhum destes doces e muito menos do bacalhau com as couves, agradavam-me os bolinhos da Triunfo com as pratas coloridas que eu colocava entre os livro muito espalmadas. Apesar de não gostar da comida, o ambiente bastava-me e enchia-me de ansiedade e expectativa. Nas minhas recordações, a manhã de Natal surgia sempre fria e sem chuva e no sapatinho, que religiosamente colocava na lareira, havia sempre uma prendinha que durante muito tempo eu imaginava a ser posta pelo Menino Jesus, na sua versão já adulta. Sim, adulto. Para mim era inimaginável o Menino Jesus bebé a saltitar pelos telhados. Mas já na altura me questionava por que motivo a minha boneca era sempre de plástico rígido e a de uma das colegas já falava e até andava. Mesmo assim, eu adorava aquele Menino tão desprotegido, que nascera numa terra longínqua de que eu não conhecia nada mas imaginava tudo, naqueles tempos do meu Natal.
Hoje, em minha casa tento recriar o Natal daquele tempo, sem excessos nem prendas por todo o lado, e isso devolveu-me a alegria tranquila do Natal.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
O Banco Alimentar Contra a Fome
Estou a ficar avarenta, somítica. Não quero dar nem um pouco do resto do salário que me chega às mãos, depois de me tirarem quase metade para pagar impostos. Porra!
No fim de semana passado, apareceram à minha porta os bombeiros do meu concelho. Este fim de semana, apareceram os bombeiros do concelho vizinho. No supermercado alguém me quis dar uma saca para eu colaborar com o Banco Alimentar contra a fome. A mim, que não uso sacas, odeio sacas.
Hoje, um vizinho queixou-se que, há dias, precisou de uma ambulância. A mãe, já idosa e cardíaca, necessitava de ajuda médica, telefonou para os bombeiros do concelho. Não tinham ambulância. Lembrou-se de telefonar para os bombeiros do concelho vizinho. Resposta:
─ A sua residência não se encontra abrangida pelos nossos serviços.
─ Então e se a minha mãe morre?
─ Se ela morrer é problema seu.
Assim, sem mais. Tinham razão. Afinal a senhora não morreu.
Que fazem os caridosos no Banco Alimentar? Dão uma prestação para o seu lugar no céu e dão alimento aos pobres que cada vez são mais. Algum destes alimentos deve estar com nutrientes fomentador da pobreza. Aumenta a caridadezinha e os pobres também. Será do arroz importado, da Índia e da China?
Por que há tanta gente na minha terra a viver do Rendimento de Reinserção Social e a gastar o pouco dinheiro que têm em coisas inúteis?
Por que há drogados a quem dão Metadona, mas não dão trabalho?
Por que há casais a receber o Rendimento de Reinserção Social, por cabeça, isto é, mais filhos mais dinheiro, e outros a ganhar o salário mínimo e a quem ninguém pergunta quantos são os elementos da família e, assim, saber qual o ordenado a pagar?
Por que há pessoas que trabalharam dos 13 aos 65 anos e têm reformas tão pequenas?
Por que é que os nossos políticos têm reforma assegurada com uns tempos de trabalho, e eu vou trabalhar mais de quarenta anos para poder ter reforma?
Há qualquer coisa errada comigo. Algum dos meus genes encontra-se danificado e eu já não consigo envolver-me pelo espírito do Natal.
No fim de semana passado, apareceram à minha porta os bombeiros do meu concelho. Este fim de semana, apareceram os bombeiros do concelho vizinho. No supermercado alguém me quis dar uma saca para eu colaborar com o Banco Alimentar contra a fome. A mim, que não uso sacas, odeio sacas.
Hoje, um vizinho queixou-se que, há dias, precisou de uma ambulância. A mãe, já idosa e cardíaca, necessitava de ajuda médica, telefonou para os bombeiros do concelho. Não tinham ambulância. Lembrou-se de telefonar para os bombeiros do concelho vizinho. Resposta:
─ A sua residência não se encontra abrangida pelos nossos serviços.
─ Então e se a minha mãe morre?
─ Se ela morrer é problema seu.
Assim, sem mais. Tinham razão. Afinal a senhora não morreu.
Que fazem os caridosos no Banco Alimentar? Dão uma prestação para o seu lugar no céu e dão alimento aos pobres que cada vez são mais. Algum destes alimentos deve estar com nutrientes fomentador da pobreza. Aumenta a caridadezinha e os pobres também. Será do arroz importado, da Índia e da China?
Por que há tanta gente na minha terra a viver do Rendimento de Reinserção Social e a gastar o pouco dinheiro que têm em coisas inúteis?
Por que há drogados a quem dão Metadona, mas não dão trabalho?
Por que há casais a receber o Rendimento de Reinserção Social, por cabeça, isto é, mais filhos mais dinheiro, e outros a ganhar o salário mínimo e a quem ninguém pergunta quantos são os elementos da família e, assim, saber qual o ordenado a pagar?
Por que há pessoas que trabalharam dos 13 aos 65 anos e têm reformas tão pequenas?
Por que é que os nossos políticos têm reforma assegurada com uns tempos de trabalho, e eu vou trabalhar mais de quarenta anos para poder ter reforma?
Há qualquer coisa errada comigo. Algum dos meus genes encontra-se danificado e eu já não consigo envolver-me pelo espírito do Natal.
O Banco Alimentar contra a Fome é mais um flor de Abril a desabrochar em Dezembro.
Ainda bem que ninguém vai ler isto. Caso contrário era excomungada. Aliás, eu acho que estou a ser excomungada.
Há funcionários públicos a fazer greve esta semana. Por que razão não é oferecido o dinheiro que fica nos cofres do Estado, ao Banco Alimentar?
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